
Data: 01/06/2006 - 21:22
Descrição:
Os pés do poeta
Pisaram onde os anjos, ainda, não ousaram pisar
Por pura petulância, ou por pura covardia
Fuga, medo, tanto faz...
As palavras do poeta
Foram impressas em papel, em jornais, em muros e cartazes, mas,
Por falta de vontade e com sua tendência suicida, as palavras do poeta, que estavam na ponta da língua
pularam e não quiseram voar com o vento, ou então, virar canção
Os olhos do poeta
Foram mais longe, além do horizonte, mergulharam no mar e morreram no asfalto
Procuraram cogumelos nos pastos e nos eucaliptos, e foram cegos ao movimento da alma e não a viram escapar.
Os sentimentos do poeta
Se confundem com os alheios, com as dores do mundo, com a tristeza dos cães que uivam pra noite ou com a alegria do beija-flor
Mas, são tão complexos e confusos, que acabam sendo sós.
As mãos do poeta
Ora tem belas curvas a percorrer, outrora exercita a ponta dos dedos em maquinas de escrever
Ou então é só o a mão que segura e faz dançar o cigarro apagado.
As verdades do poeta
São as mentiras que alimentam seu Ego, são as suas próprias histórias pra boi dormir, suas certezas incertas, seus medos e seus erros
Ou são só poesia de boteco.