
Data: 22/07/2008 - 16:52
Descrição:
Geração Pai de Santo!
Muito engraçada essa matéria sua, Caio. É a mais pura constatação que vivemos nos dias de hoje: ninguém mais dá nome aos bois. Seria trágico, se não fosse cômico.
Hoje ninguém mais sabe dizer um nome pro tipo de relacionamento que está vivendo, porque simplesmente não estão vivendo nada. Ou pior, se está vivendo algo que se deva presumir ser namoro, relacionamento estável, casamento... Mas quando se resolve dar nome a isso, parece que instantaneamente a relação desaparece!
Hoje vivemos os relacionamentos pai de santo. Meninos e meninas presumem ter namorados que na verdade não tem. Homens e mulheres presumem conhecer um ao outro quando não conhecem. Maridos e esposas presumem ter um casamento, quando nunca mais se olharam nos olhos. Filhos presumem ter pais, e familias presumem estar juntas, quando nem conseguem mais se encontrar à mesa para uma simples refeição!
Somos pais de santo! Ciganas! Adivinhos! Temos que imaginar o que se passa na cabeça do outro, porque simplesmente ninguem mais CONVERSA sobre si. Colocaram um rótulo muito escroto na conversa entre as pessoas chamado DISCUTIR RELAÇÃO. Então desde aí, ninguem mais quer pagar esse mico!
Namoro é a fase do relacionamento onde 2 pessoas que querem se conhecer mais profundamente se comprometem a passar o tempo junto pra ver se tem afinidades. Só que hoje em dia namoro é casamento! Tá tudo trocado e subvertido. Namoro tem hoje um grau de comprometimento q só os casamentos deveriam ter. Se dorme junto, se liga pro outro a todo momento, se cobra exclusividade... Por isso que ninguem hoje em dia mais sabe q nome dar aos relacionamentos. Virou o samba do crioulo doido!
Ha os velhos tempos... onde o rapaz olhava pra moça e dizia: vamos namorar? ou... voce quer namorar comigo? Não havia prisão, nem algemas, nem contratos de exclusividade. Apenas a vontade de voltar a sua atenção, o seu olhar e também o seu coração pra alguem especial dentre tantas.
Talvez se pudéssemos resgatar os conceitos das palavras pudéssemos não ser pais de santo, nem adivinhos, pq as conversar e os tratos seriam baseados em vontades compartilhadas. Conversar não dói, não diminui e não é mico!
Bjos a todos...
Mônica Demori.